O salvador de Spartacus

A indústria do entretenimento é realmente uma maquina incrível. As vezes combinações perfeitas levam as resultados insípidos e muitas outras vezes o improvável acontece, e elementos dispares e improváveis geram uma fórmula de sucesso.

É o caso de Spartacus: Blood and Sand. Na superfície, não temos nada demais. Um seriado com uso excessivo de CGI no estilo 300, por ser uma série televisiva, não tao apurado visualmente. Violência, batalhas e sexo. Personagens muitas vezes risíveis. Um piloto absurdamente ruim. Tudo parece a príncipio apenas um rip-off do filme Gladiador.

Mas eis que desse pot-pourri algo se destaque. Um elemento que sempre elude Hollywood mas que tem a magia de suplantar falhas e defeitos, e elevar coisas medíocres a grandeza. Esse mítico elemento poderia ser a direção, poderiam ser grandes diálogos, ou grandes personagens. Mas se em Spartacus algo disso se destaca, sendo seu elemento primordial, são bem elaborados e ousados roteiros.

O grande destaque de Spartacus não são os atores, embora tenhamos boas atuações, algumas caricatas como a de John Hannah (Batiatus), outras diabólicas como a de Lucy Lawless (Lucretia), ou simplesmente fracas como a de Manu Bennett (Crixus). Mas o personagem de Spartacus (Andy Whitfield) em si cresce com a ousadia do roteiro. E nisso um bom ator se revela, e no meio da rudez temos um personagem crível e complexo a seu modo próprio

Ao contrário do que parece a primeira vista, Spartacus não é nosso herói padrão. Ele é muitas vezes burro, maldoso e vingativo. Até desonesto. Ou seja, humano.

As situações na série são bem construídas e os roteiristas não poupam a vida de um bom personagem se isso for para o bem da história. Assim temos um seriado onde a empolgação e o inesperado crescem a cada episodio, e onde o ótimo roteiro permite que as peças se encaixem com fluidez.

Mas não se enganem, o roteiro não é perfeito, não é cheio de grandes dialogos, embora eventualmente os tenha, mas tem tanta esperteza e inteligência que fazem outros seriados como V serem obliterados em vergonha.

Tais proezas de roteiro foram executadas em outros tempos por vários seriados, como no sci-fi Babylon 5 e seus arcos multitemporadas. Spartacus se mostra herdeiro dessa tradição, embora a execução por agora tenha sido em uma temporada.

Assim, os personagens vão crescendo, e as falhas eventuais são perdoadas. Quando o todo é consistente somos mais lenientes com os pequenos desvios dos personagens, e situações nem sempre plenamente convergentes.

Pois que Spartacus se mostra uma ótima serie. Sem dúvida, não é para qualquer audiência. As cenas de violência beiram o mau gosto, existe nudez e sexo em exagero, cabeças rolam e voam, tripas explodem, mesmo que sejam quase caricatos. Mas mesmo com essa absurdez de elementos, os criadores acabam levando cada episódio além. Spartacus sem duvida é uma das séries da última década que pode ser facilmente enquadrada no que os americanos chamam de guilty pleasure.

E no fim, o somatório é muito maior que a soma das partes, e gloriosamente podemos dizer que Spartacus foi salvo pelo roteiro. Ave Imperator, morituri te salutant.

PS: Para um outro ponto de vista, confiram o sempre excelente texto do Depois do Trampo:

http://www.depoisdotrampo.com.br/2010/11/saldao-de-series-spartacus-blood-and.html

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Sensacional curta de fantasia: Simtel

O nome é péssimo mas a execução desse curta da Blender Foundation, feito com o software livre homônimo é de cair o queixo! Um mundo fantástico e personagens interessantes em apenas 15 minutos.


(clique no símbolo do Youtube se quiser ver em alta definição, e esse merece!)

Ou baixe o MP4 em alta definição, até com som 5.1 !!! http://www.sintel.org/wp-content/content/download.html

A Obsolescência Programada, um dos segredos do capitalismo

Já notaram como uma bateria que compramos para substituir a original de um produto, seja de um celular, telefone sem fio ou notebook, por exemplo, nunca dura tanto quanto a bateria original? Ou como as impressoras jato de tinta se recusam a imprimir do nada, exigem trocas de cartuchos cada vez mais rápidas? Compramos uma máquina de lavar, e em pouquíssimos anos elas já esta parando de funcionar e exigindo manutenção, geralmente tão cara que nos leva a comprar um produto novo?

É muito comum notarmos como os produtos mais antigos duravam mais, eram mais confiáveis, e funcionavam até por décadas. Muitas vezes vemos esse mecanismo como apenas uma redução de custo das empresas, através do uso de materiais mais baratos e piores.

Mas a coisa vai mais a fundo. Desde a o inicio do século XX os capitalistas começaram a ver que produtos duráveis nem sempre eram vantajosos para os seus lucros, e que poderiam intervir nisso. Em especial na segunda metade do século XX um novo conceito se estabeleceu, a obsolescência programada. Seja através do design, da durabilidade, pela redução da manutenibilidade de produtos, o capitalismo busca fazer não produtos melhores, mas piores.

Confiram essa fundamental história no documentário abaixo. Esta narrado e legendado em espanhol mas dá para acompanhar bem, mesmo para quem não conhece a língua.

Nele temos casos sensacionais, como o cartel das lâmpadas, que reduziu sua longevidade de 2500 horas ou mais para 1000 horas, o caso da bateria dos ipods, das meias de Nylon iniciais, praticamente indestrutíveis, e de outros produtos que mostram que o capitalismo anda há tempos em rota de choque com um mundo de recursos naturais em esgotamento.

[UPDATE] O vídeo online saiu, mas tem link para download nos comentários.

http://vimeo.com/19682455